quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A GENTE SE ACOSTUMA



A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.

A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto.

A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.

A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

No meio do caminho vi uma rosa

Passava sempre pelo mesmo lugar, dia após dia, tardes após tardes, tudo parecia sempre igual: caminhos, pessoas, prédios, barulhos, carros, todos seguindo direções antagônicas em um mesmo caminho.

De repente tive uma vontade de parar de não mais caminhar, de ficar quieta, mas tudo estava em movimento. Foi quando de súbito pensei: aonde vou pode esperar, para que tanta pressa pra que tanto caminhar se tudo tem uma hora e um lugar certo pra acontecer.

Resolvi parar e sentar ali mesmo. Não sabia nem onde estava. Apenas resolvi: é aqui! É aqui que vou descansar. Pensar em nada, pensar em tudo. Ao olhar a minha volta,lá estava ela no meio do caminho. Toda irradiante e bela. Em meio as pedras e espinhos. Fiquei a contemplá-la por alguns instantes. A fitei, a detalhei em minha mente e resolvi senti-la de mais perto. Seu aroma, sua delicadeza, sua doçura e ternura sem igual. como fiquei calma, tranquila. O barulho sumiu, minha mente suavizou-se, aquietou-se com tamanha beleza, parecia que existiam apenas eu e a rosa no meio do caminho.

Percebi que nem todos que por ali passavam, viam a Rosa, a minha rosa e muito menos o seu perfume e eu me senti feliz, por contemplar tamanha delicadeza, tamanha suavidade. Incomparável momento eternizado em minha mente.

Rosa que enfeitastes o meu caminho, o meu dia e me fizestes compreender que quando corremos, perdemos de contemplar as muitas belezas naturais que enfeitam os caminhos da nossa vida.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

De repente morrer.......



De repente me vi assim, triste,
e meio sem querer
escorreu um lágrima no meu rosto
tentei, tentei segurar, mas não consegui, pensei, dessa vez não
não dessa vez,
você, tristeza não me pega, não vai me encontrar e repousar seu peso imenso em mim.
Lutei, tentei modificar pensamentos,
abri a janela pra ver o sol, mais começou a chover, tentei escutar uma música mas todas erram tristes,
estava em volta a coisas tristes
tentei imaginar um céu estrelado, mas nele não tinha estrelas.
É... Hoje estou assim, triste, pessimista, as coisas ruins não se transformam em boas, acho que cada um de nós temos um dia assim meio de trevas , meio escuro, dia que te faz chorar mesmo sem querer.
Será que ela vai embora?
Espero que sim, não gosto mais de estar assim, não quero ser triste, quero viver e está em volta a tristeza me tira um pouco o gostinho da vida e me faz querer de repente morrer!!!!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Lenda do Jogo de Xadrez!!!

Conta uma história que um rei estava muito triste devido a morte de seu filho em uma batalha. O rei, inconsolado, passava horas traçando sobre uma caixa de areia o movimento das tropas em combate, reproduzindo sempre a triste batalha. Para tentar agradar e distrair o rei, um de seus súditos, inventou um jogo e ofereceu ao rei como presente. O jogo consistia em um tabuleiro com 64 casas, no qual eram distribuídas duas coleções de peças, uma preta e uma branca.



Depois de entender as regras do jogo, o rei ficou encantado pelo presente e decidiu recompensar o jovem pela invenção. Então, disse ao jovem que poderia escolher o que quisesse como recompensa. Para o espanto de todos, o jovem pediu a recompensa em grãos de trigo, porém da seguinte forma: "Um grão de trigo pela primeira casa do tabuleiro, dois grãos de trigo pela segunda casa, quatro grãos de trigo pela terceira casa, e assim sucessivamente, sempre dobrando a quantidade de grãos de trigo, até completar todas as casas do tabuleiro.". O rei ficou surpreso e achou a recompensa muito pequena, pois esperava que o jovem pedisse ouro ou jóias. Mesmo assim, concordou e pediu aos matemáticos de reino que calculassem a quantidade de grãos de trigo que o jovem deveria receber. Depois de os cálculos serem realizados, o rei ficou espantado ao descobrir que a quantidade de grãos de trigo necessária para recompensar o jovem era tão grande que, mesmo que fosse plantado trigo em toda a superfície da terra, não seria, suficiente para pagar o que prometeu como recompensa. A quantidade de grãos de cada casa pode ser obtida pelas potências apresentadas abaixo:


1ª casa --> 2°
2ª casa --> 2¹
3ª casa --> 2²
.
.
.
64ª casa --> 2^{63} (isso é dois elevado a sessenta e três)


A recompensa exigida pelo jovem é igual a soma de todos os grãos de cada casa, ou seja, 18 446 744 073 709 551 615 grãos de trigo.